março 20, 2007

Dia mundial da Poesia


Dia 21 de Março comemora-se o Dia Mundial da Poesia, um dia assinalado pela UNESCO que refere que “A poesia restitui a magia das palavras e abre um espaço de reflexão e diálogo sobre o mundo actua”.
Embora todos os dias sejam indicados para nos deleitarmos com a leitura de um gracioso poema, gostaría de aproveitar a comemoração deste dia para fazer uma breve sugestão.

Recomendo um heterónimo desse grande escritor português Fernando Pessoa, talvez o poeta mais lido, declamado e sentido de todos os tempos. O livro “Poemas Completos de Alberto Caeiro”, este encontra-se numa edição já expurgada de deficiências de leitura, de lacunas e de descontinuidades que normalmente circulam, oferecendo assim, texto completo, acrescentando, à obra conhecida, os inéditos recolhidos, de modo sistemático, ao longo do espólio.
Ricardo Reis assina o longo Prefácio e a integral das Notas para a Recordação de Meu Mestre Caeiro sob a forma de Posfácio, de Álvaro de Campos.
Numa edição de Teresa Sobral Cunha e ensaio crítico de Luís de Sousa Rebelo.

Sobre Alberto Caeiro diz-se ser figura fulcral da grande renovação poética que Fernando Pessoa idealizou para a literatura portuguesa e de que a Revista «Orpheu» terá sido, em 1915, momento inicial. A extrema originalidade da sua criação artística e as fecundas consequências que Reis, Campos e o próprio Pessoa logo repercutem, vão ter, a longo prazo, efeitos notórios na sensibilidade estética do século.

Aqui fica um dos mais belos poemas de Fernando Pessoa pelo seu heterónimo Alberto Caeiro em formato de aperitivo, esperamos proporcionar-lhe assim uma agradável decisão para usufruir de forma mais agradável, do seu tempo livre:

“Se, depois de eu morrer...

Se, depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia,
Não há nada mais simples.
Tem só duas datas --- a da minha nascença e a da minha morte.
Entre uma e outra todos os dias são meus.

Sou fácil de definir.
Vi como um danado.
Amei as coisas sem sentimentalidade nenhuma.
Nunca tive um desejo que não pudesse realizar, porque nunca ceguei.
Mesmo ouvir nunca foi para mim senão um acompanhamento de ver.
Compreendi que as coisas são reais e todas diferentes umas das outras;
Compreendi isto com os olhos, nunca com o pensamento.
Compreender isto com o pensamento seria achá-las todas iguais.
Um dia deu-me o sono como a qualquer criança.
Fechei os olhos e dormi.
Além disso fui o único poeta da Natureza.”

Carla Soares

Publicado por Ofeliazinha em março 20, 2007 10:35 PM
Comentários
Comente esta entrada









Lembrar-me da sua informação pessoal?