dezembro 05, 2006

Equipamento cultural vai ter nome do poeta

O presidente da Câmara de Lisboa, Carmona Rodrigues manifestou este domingo pesar pela morte do poeta e pintor Mário Cesariny e declarou que a autarquia vai dar o seu nome a um equipamento cultural "relevante".

Numa nota enviada à Agência Lusa, Carmona Rodrigues afirmou que "Lisboa perdeu um dos seus grandes cultores", marcado pela "inquietude criativa", e que a cidade "deve muito" a "um dos mais inspirados artistas do surrealismo português".
Carmona Rodrigues comprometeu-se ainda a atribuir o nome de Mário Cesariny de Vasconcelos a "um relevante equipamento cultural da cidade de Lisboa".

Tal como aos surrealistas, "[a Mário Cesariny] e à sua polémica obra de vemos parte da contemporaneidade e cosmopolitismo de que Lisboa hoje se orgulha", afirmou o autarca.

A autarquia "partilha a tristeza" de amigos e familiares do poeta, que morreu hoje de madrugada aos 83, após doença prolongada, declarou.


Mário Cesariny de Vasconcelos, o precursor do surrealismo português, morreu no dia 26 de Novembro, em sua casa, em Lisboa. Nascido em 1923, destacou-se também como poeta, tendo publicado aos 21 anos a sua primeira obra de poesia. Os encontros em Paris, nomeadamente com André Breton e a leitura do manifesto surrealista Rupture Inaugurale influenciam-no a fundar o Grupo Surrealista de Lisboa, em 1947, mas a polémica do ano seguinte leva-o a afastar-se e fundar outro grupo, Os Surrealistas. Durante as últimas duas décadas, o pintor expôs as suas obras na Galeria Neupergama, em Torres Novas, tendo em 2002 inaugurado pessoalmente uma das suas exposições.

Mário Cesariny é caracterizado pela singularidade da sua obra, atingida pelo seu alto nível de abstracção, que também o levou a assumir muitas vezes atitudes polémicas, como pintor e escritor, quase sempre em ruptura com as ortodoxias ideológicas portuguesas. Além de traduções de poetas como Rimbaud e Artaud, publicou as seguintes obras:

Corpo Visível (1950), Discurso sobre a Reabilitação do Real Quotidiano (1952), Louvor e Simplificação de Álvaro de Campo (1953), Manual de Prestidigitação (1956), Pena Capital (1957), Alguns Mitos Maiores e Alguns Mitos Menores Postos à Circulação pelo Autor (1958), Nobilíssima Visão (1959), Poesia (1944-1955) (s./d.); Antologia Surrealista do Cadáver Esquisito, 1961; Planisfério e Outros Poemas (1961), Surreal/Abjeccionismo, 1963; Um Auto para Jerusalém (1964); Titânia e A Cidade Queimada (1965); A Intervenção Surrealista, 1966; 19 Projectos de Prémio Aldonso Ortigão Seguidos de Poemas de Londres (1971): As Mãos na Água e na Cabeça (1972); Burlescas, Teóricas e Sentimentais (1972); 50º Aniversário do Primeiro Manifesto Surrealista, 1974; Primavera Autónoma das Estradas (1980); Horta de Literatura de Cordel, antologia, 1983; Vieira da Silva, Arpad Szenes ou O Castelo Surrealista (1984), O Virgem Negra (1989) e Titânia (1994).

Carla Soares

Publicado por Ofeliazinha em dezembro 5, 2006 11:37 PM
Comentários

Já pensei a questão - necessariamente política e hipócrita - penso que se deveria mudar o nome ao Parque Eduardo VII!!

Afixado por: KLATUU o embuçado em dezembro 10, 2006 05:25 AM

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