Hoje venho falar de um espectáculo que tomei conhecimento via e-mail de mais uma pessoa que desde já agradeço, que escolheu o meu blog para publicitar o seu trabalho.
Falo-vos de Pele, de Maria João e José Peixoto, um espectáculo a que poderá assistir no dia 20 de Janeiro (Sábado), pelas 21:30 no Cinema-Teatro Joaquim d'Almeida, em Montijo.
Mais poderei adiantar que se desejar receber informações sobre como reservar o seu lugar neste espectáculo, deverá ligar para o número de telefone 212 327 982.
Para horários de bilheteira e restantes informações, veja o cartaz deste espectáculo que está adjacente com este texto.
Carla Soares
O presidente da Câmara de Lisboa, Carmona Rodrigues manifestou este domingo pesar pela morte do poeta e pintor Mário Cesariny e declarou que a autarquia vai dar o seu nome a um equipamento cultural "relevante".
Numa nota enviada à Agência Lusa, Carmona Rodrigues afirmou que "Lisboa perdeu um dos seus grandes cultores", marcado pela "inquietude criativa", e que a cidade "deve muito" a "um dos mais inspirados artistas do surrealismo português".
Carmona Rodrigues comprometeu-se ainda a atribuir o nome de Mário Cesariny de Vasconcelos a "um relevante equipamento cultural da cidade de Lisboa".
Tal como aos surrealistas, "[a Mário Cesariny] e à sua polémica obra de vemos parte da contemporaneidade e cosmopolitismo de que Lisboa hoje se orgulha", afirmou o autarca.
A autarquia "partilha a tristeza" de amigos e familiares do poeta, que morreu hoje de madrugada aos 83, após doença prolongada, declarou.
Mário Cesariny de Vasconcelos, o precursor do surrealismo português, morreu no dia 26 de Novembro, em sua casa, em Lisboa. Nascido em 1923, destacou-se também como poeta, tendo publicado aos 21 anos a sua primeira obra de poesia. Os encontros em Paris, nomeadamente com André Breton e a leitura do manifesto surrealista Rupture Inaugurale influenciam-no a fundar o Grupo Surrealista de Lisboa, em 1947, mas a polémica do ano seguinte leva-o a afastar-se e fundar outro grupo, Os Surrealistas. Durante as últimas duas décadas, o pintor expôs as suas obras na Galeria Neupergama, em Torres Novas, tendo em 2002 inaugurado pessoalmente uma das suas exposições.
Mário Cesariny é caracterizado pela singularidade da sua obra, atingida pelo seu alto nível de abstracção, que também o levou a assumir muitas vezes atitudes polémicas, como pintor e escritor, quase sempre em ruptura com as ortodoxias ideológicas portuguesas. Além de traduções de poetas como Rimbaud e Artaud, publicou as seguintes obras:
Corpo Visível (1950), Discurso sobre a Reabilitação do Real Quotidiano (1952), Louvor e Simplificação de Álvaro de Campo (1953), Manual de Prestidigitação (1956), Pena Capital (1957), Alguns Mitos Maiores e Alguns Mitos Menores Postos à Circulação pelo Autor (1958), Nobilíssima Visão (1959), Poesia (1944-1955) (s./d.); Antologia Surrealista do Cadáver Esquisito, 1961; Planisfério e Outros Poemas (1961), Surreal/Abjeccionismo, 1963; Um Auto para Jerusalém (1964); Titânia e A Cidade Queimada (1965); A Intervenção Surrealista, 1966; 19 Projectos de Prémio Aldonso Ortigão Seguidos de Poemas de Londres (1971): As Mãos na Água e na Cabeça (1972); Burlescas, Teóricas e Sentimentais (1972); 50º Aniversário do Primeiro Manifesto Surrealista, 1974; Primavera Autónoma das Estradas (1980); Horta de Literatura de Cordel, antologia, 1983; Vieira da Silva, Arpad Szenes ou O Castelo Surrealista (1984), O Virgem Negra (1989) e Titânia (1994).
Carla Soares